Desde a Operação

Há coisas que o setor sabe, mas raramente diz em voz alta.

Trabalho há mais de 27 anos em operações de cliente, contact center e BPO. Vivi crescimentos, crises, concursos, transformações, reestruturações e decisões que raramente aparecem nos títulos.

Neste espaço partilho reflexões baseadas em experiência real, dados e uma ideia simples: as decisões mais importantes quase nunca são as mais cómodas.

Jesús Pinar · Mais de 27 anos a dirigir operações de cliente, transformação e BPO.

Realidades incómodas sobre BPO, operações de cliente, transformação, pessoas e estratégia

Não são artigos de atualidade. São decisões de negócio.

Tecnologia, pessoas, convenções, conhecimento, rentabilidade, concursos, regulação e transformação fazem parte do mesmo sistema. Analisá-los em separado costuma levar a conclusões erradas.

«Desde a Operação» nasce para ligar essas peças e abrir conversas que o setor precisa de enfrentar.

Ilustração editorial de cadeiras executivas vazias à volta de uma mesa redonda, em tons de azul-marinho sobre fundo claro.
Ensaio#01Estratégia BPO

A automatização não elimina o risco. Decide quem acaba por pagá-lo.

O jogo da última cadeira

A automatização não afeta todos por igual. Quando o cliente reduz o volume na origem, a poupança materializa-se de imediato; o custo laboral, pelo contrário, pode ficar retido no último fornecedor que continua a prestar o serviço.

Retrato de Jesús PinarPor Jesús Pinar8 min de leitura
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Ensaio#09Operações

Fomos os melhores em números. E ainda assim, sobrávamos.

Governar um BPO é gerir contradições

Éramos o fornecedor mais rentável dos três. E ainda assim saímos. Um caso real sobre as contradições que verdadeiramente governam um BPO.

10 min
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Ensaio#08Estratégia BPO

As decisões que mais protegem uma empresa costumam parecer, no início, um erro.

Porque é que as melhores decisões parecem erradas

Em operações, quase todas as decisões são julgadas cedo demais. Mas há momentos em que conservar uma operação rentável deteriora mais o negócio do que aceitar uma perda hoje. A dificuldade está em sustentar uma decisão que parece errada até o tempo demonstrar que não era.

7 min
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Ensaio#07Pessoas e talento

Nem sempre fica o melhor. Fica quem custa menos perder.

A rentabilidade também é uma decisão de pessoas

Num BPO, a rentabilidade não depende apenas do preço ou da tecnologia. Depende também de como se tomam decisões sobre as pessoas quando o volume muda. E essas decisões raramente são tão simples como conservar quem trabalha melhor.

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Ensaio#06Concursos e fornecedores

Assinamos contratos pensados para um negócio que já está a desaparecer enquanto assinamos.

O próximo contrato não será como o anterior

Durante anos, muitos concursos de BPO foram colocados como uma renovação do modelo anterior. Essa abordagem começa a ficar velha. O próximo contrato deve prever como se transformará, quem assumirá o impacto e o que acontecerá quando nada se parecer com o início.

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Ensaio#05Transformação

A poupança cobra-se primeiro. A fatura chega depois, e quase nunca ao mesmo sítio.

A fatura da transformação

Há anos que falamos de automatização e eficiência. Muito menos se fala do que acontece depois: quem absorve a queda de receitas, o que acontece à equipa e como se protege um negócio quando a transformação chega antes da capacidade de adaptação.

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Ensaio#04Concursos e fornecedores

Nenhum documento é obrigado a mostrar onde está o risco.

O conhecimento que não aparece nos cadernos de encargos

Num concurso pode medir-se quase tudo: preço, níveis de serviço, tecnologia. O que raramente se mede bem é o conhecimento acumulado ao longo de anos de operação. E é o mais difícil de substituir.

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Ensaio#03Pessoas e talento

Formamos muito. Quase nunca para aquilo que é preciso depois.

Formar para operar não é formar para o futuro

A indústria do contact center forma muito. O problema é que grande parte dessa formação serve para que a operação de hoje continue a funcionar, e não para que as pessoas continuem a ter lugar na operação de amanhã.

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Ensaio#02Transformação

Há operações rentáveis que já deveriam meter medo.

A dívida de transformação do BPO

No BPO há operações que parecem saudáveis porque continuam a faturar. Mas algumas acumulam uma dívida que não aparece na conta de exploração: estruturas rígidas, passivos, conhecimento concentrado e contratos desenhados para um mundo que está a desaparecer.

9 min
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